El Niño ameaça safra de grãos e trava a logística nacional

publicidade

O retorno do El Niño, fenômeno climático monitorado pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos),  altera todo o calendário agrícola do país e coloca em risco a produtividade das lavouras de grãos, que sustentam o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e por extensão do Brasil.

Se na pecuária o problema é a disponibilidade de pasto e o calor, na agricultura o desafio começa na janela de plantio. A irregularidade das chuvas atrasa o início da semeadura de soja e milho, o que empurra a colheita para meses em que o risco climático é maior, podendo resultar em quebra de safra ou na perda de qualidade do produto final, reduzindo o valor de venda na ponta.

No Sul, onde o excesso de chuva é a principal marca do El Niño, o produtor enfrenta o aumento exponencial de custos com fungicidas e defensivos, já que a umidade constante cria o ambiente perfeito para a proliferação de doenças nas lavouras de soja e trigo.

Além disso, a colheita em solo encharcado gera perdas mecânicas e compromete a qualidade do grão, que chega ao armazém com umidade acima do padrão, elevando o custo de secagem e reduzindo o peso final entregue para comercialização.

Leia Também:  Agronegócio gerou 28,2 milhões de empregos em 2024, o maior patamar desde 2012

Já no Norte e Centro-Oeste, o risco é o oposto: a seca prolongada ou a falta de umidade regular no solo interrompem o desenvolvimento vegetativo da planta, o que reduz drasticamente o rendimento por hectare e frustra as expectativas de lucro que foram desenhadas no planejamento da safra.

A logística é outro setor que sofre um efeito dominó imediato. As enchentes no Sul prejudicam o escoamento rodoviário, isolando regiões produtoras e encarecendo o frete devido aos desvios necessários para contornar estradas bloqueadas ou pontes destruídas.

No Norte, a seca severa nos rios da bacia amazônica trava o transporte hidroviário, essencial para levar a produção de grãos aos portos de exportação. Quando o caminhão não consegue passar ou o navio não consegue navegar, o produto fica estocado na fazenda, gerando custo de armazenagem e impedindo o produtor de realizar o lucro na venda do grão, que muitas vezes depende do giro rápido para pagar o custeio da lavoura.

Para o agricultor, o cenário exige uma mudança drástica na estratégia de proteção. Não é hora de apostar no clima, mas sim de garantir o fluxo de caixa através de seguros rurais, como o Proagro, que devem ser revisados para cobrir riscos específicos da região.

Leia Também:  Integração Lavoura-Pecuária na safrinha pode maximizar uso de pastagens e elevar rentabilidade no agro

Além disso, o monitoramento por satélite e o uso de dados locais, integrados às decisões de plantio, são as únicas formas de tentar ajustar a escolha das variedades de sementes e o momento exato de entrar em campo. O produtor precisa assumir o papel de gestor de riscos: quem não tiver liquidez para suportar um eventual atraso na colheita ou um aumento nos custos de defensivos será o primeiro a sentir o baque no fechamento da conta deste ciclo produtivo.

Fonte: Pensar Agro

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade